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“Leia a Bíblia, mas só quando for conveniente!”

quarta-feira, 26 de março de 2014

Já cansei de ver caras feias, que sempre vêm acompanhadas de Bíblias (seja do novo ou velho testamento) debaixo de braços, quando há alguma manifestação homoafetiva em qualquer lugar público. Fico pensando porque há tanta opressão, repulsa e exclusão por parte dessas pessoas religiosas, sendo que, na minha concepção, a religião serve para acolher, confortar, RELIGAR, como já diz o próprio nome.



Antes de discutir o assunto e levantar o debate, acho importante destacar que fui criada em meio a pais e avós católicos, fiz catequese e crisma, estudei a Bíblia e, por isso, tenho um pouquinho de base para falar. Por conhecer a chamada “palavra” e interpretá-la, questioná-la, colocá-la dentro do tempo e do espaço em que foi escrita, não consigo conceber que certos ditos publicados nela sejam seguidos por tanta gente como a lei total e única de todas as leis.

Um exemplo: O livro da Bíblia “Levítico”, que é, aos quatro cantos, vociferado por fanáticos evangélicos como a prova cabal de que a homossexualidade é um pecado, traz algumas “normas de conduta” a serem seguidas pelos cristãos. Em uma das passagens, em 18:22, ele faz um aviso os homens: “Não se deite com um homem como se fosse mulher. Isso é uma abominação”. Indo um pouco mais lá atrás, em Gênesis 19:1-25, narra-se a destruição de Sodoma e Gomorra por Deus, devido a prática do sexo entre os homens. Estas partes do “livro sagrado” são usadas praticamente como escudo por religiosos quando o assunto é o amor homo. Acho interessante que estes capítulos são grandes, mas estas pessoas do nosso século recortam apenas a parte que interessam destes trechos e excluem os outros.


Imagem 1: Igreja Católica não se posiciona favoravelmente a união homoafetiva, mas esconde milhares de casos de pedofilia

Explico. No mesmo Levítico, em 15:19-24, diz-se que a menstruação feminina é uma imundice e tudo o que a mulher tocar neste período fica imundo também, inclusive seu marido. Depois, em 21:20, ninguém pode se aproximar do altar de Deus se tiver alguma doença ou defeito, se for cego, coxo, corcunda ou anão. Já em Êxodo 21:7-8, por exemplo, são dadas orientações sobre a maneira de vender a própria filha como escrava (lógico que o Levítico não ia ficar de fora nessa e em 25:44 explica que os escravos devem ser comprados nas nações vizinhas). Além de outras partes que proíbem o homem de cortar a barba e condenam à morte as pessoas que trabalham aos sábados.

Os trechos que descrevi neste 4º parágrafo são considerados por todos (inclusive pelos religiosos xiitas) preconceituosos, xenofóbicos e cruéis. Ninguém acha humano vender a filha como escrava (por mais que haja muito machismo e trabalho escravo velado por ai) ou morrer porque teve que dar aquele plantãozinho no sábado, certo? Por que, então, continuar tratando como verdade absoluta somente a parte em que se condena a homossexualidade? Isto também não é humano. É além de preconceituoso, muito cruel.


Imagem 2: Casal de lésbicas se beija durante culto liderado pelo Pastor Marco Feliciano. Religioso enaltece o discurso contra homossexuais, mas em cultos pede a senha do cartão de fiéis da sua igreja, prometendo "um lugarzinho no céu" a quem fizer grandes doações

Todo este antiquíssimo manual de conduta escrito na Bíblia foi redigido por homens, que viviam no tempo da Judéia. A nação deles não existe mais há milhares de anos. Os tempos mudaram, a civilização se desenvolveu. Não há o que pegar de exemplo neste livro para uso atual na sociedade. Não por nada, não porque é ruim, é só porque o tempo dele já passou.

Aí fico pensando o que as pessoas poderiam seguir da Bíblia mesmo, quase nenhuma faz. Amar ao próximo como a si mesmo ou considerar todo o qualquer ser humano um irmão são coisas extintas neste mundo, que está cada vez mais egoísta, homofóbico, racista, machista, elitista e repressor.

2 comentários:

  1. Sou cristã desde pequena e gostaria de opinar sobre o texto.
    O livro no qual você se refere é Levítico, e como católica sabe que este livro faz parte do pentateuco (os cinco primeiros livros da bíblia Genises, Exodo, Levítico, Números e Deuteronômio), estes livros são os livros da lei, ou seja, livros que contam o início do mundo e o começo da civilização do mundo. Muito do que esta escrito é pra saber quais eram os usos e costumes da época e o que podia e não podia naquela época, MAS não devem ser jogada fora, pois a Bíblia foi escrita sim por homens, porém inspirada por Deus, o que faz toda diferença.
    Voltando ao seu texto, não acho justo a ''condenação'' dos cristãos. Nós bem sabemos que Deus abomina o pecado, independente de qual seja o pecado e a união de pessoas do mesmo sexo para nós é pecado. Não há como seguir uma religião pela metade e se esconder de certas coisas. O amor é um mandamento, amai o próximo como a ti mesmo (Marcos 12:31). Amamos a pessoa que comete pecados (qualquer ser humano, ate pastores, cometem pecados), porem não deixamos de amar aquela pessoa pelo pecado cometido. Assim é com pessoas que tem relacionamento homoafetivo. Nós os amamos, porem não amamos o seu pecado.
    Acho que hoje cada um se preocupa com o seu lado e sua opinião, é fácil atacar o outro pra defender o seu pensamento.
    Sobre o dízimo, também é mandamento (Malaquias 3:10) e se o pastor roubar, Deus cobrará dele. Por que será que falam que o pastor de igreja tal roubou e as igrejas continuam cheias? Porque essas pessoas conhecem e entendem a bíblia, não somente a deixam aberta no Salmo 23.
    É bacana defender o que se pensa, mas também não é justo fazer uma religião engolir o que para nós é pecado garganta á baixo. Toda religião tem suas regras e devem ser respeitadas. Nunca vi ninguém criticar o judeu pelo seu machismo, o mulcumano por matar inocentes em nome de Alah, o umbandista por sacrifícios com crianças e animais, mas o cristão ahhh esse sim deve ser sacrificado.
    Acho que o respeito acima de tudo é o caminho. Se acham que o Deus que sirvo é careta e que as leis são antiquadas ok, mas é o que eu escolhi ser e crer.
    Então não baste só ler a bíblia e não saber compreende-la. Precisa ler, entender, estudar para saber o que pensamos sobre sua existência.

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  2. Olá, =)
    Eu concordo plenamente contigo. Acho que julgar qualquer tipo de atitude pelo o que está na bíblia é além de ridículo,uma forma injusta de julgamento!
    Sou Judia de Mãe e Católica de Pai e passei a vida toda no meio de um fogo cruzado de crenças e opiniões. Acho abominável a ideia de que a nossa liberdade seja julgada por determinadas crenças, ainda mais quando o julgado não pertence aquele grupo religioso. Se não sou cristã não me vejo na obrigação de pagar pelos deveres cristãos. A nossa liberdade, direitos e deveres devem ser criados de homem para homem, já que é a única coisa que todos temos em comum, sermos da mesma espécie!

    OBS: de que planeta a Amiga ai veio?? Nunca viu criticar o judeu, mulcumano e umbandista???

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